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AR LIVRE Ar livre, que não respiro! Ou são pela asfixia? Miséria de cobardia Que não arromba a janela Da sala onde a fantasia Estiola e fica amarela! Ar livre, digo-vos eu! Ou estamos nalgum museu De manequins de cartão? Abaixo! E ninguém se importe! Antes o caos que a morte... De par em par, pois então?! Ar livre! Correntes de ar Por toda a casa empestada! (Vendavais na terra inteira, A própria dor arejada, - E nós nesta borralheira De estufa calafetada!) Ar livre! Que ninguém canta Com a corda na garganta, Tolhido de inspiração! Ar livre, como se tem Fora do ventre da mãe, Desligado do cordão! Ar livre, sem restrições! Ou há pulmões, Ou não há! Fechem as outras riquezas, Mas tenham fartas as mesas Do ar que a vida nos dá! |
Poema de Miguel Torga
In "Antologia Poética"
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