| Tese de doutoramento analisa
a qualidade do jornalismo televisivo |
Telejornais não
mostram nada de novo
Intitulada «Mimetismos e Determinação da
Agenda Noticiosa Televisiva – A agenda-montra de outras
agendas», a tese de Dinis Manuel Alves recentemente defendida
na Universidade de Coimbra, conclui que o jornalismo
televisivo português não acrescenta nada de
novo.
Paula Alexandra Almeida
Segundo o
investigador, ex-jornalista, os telejornais praticam um
“jornalismo de follow up, de ilustração ou de animação da
actualidade previamente difundida por outros meios”. Dinis
Alves recorre mesmo à velha máxima, “a rádio dá, a televisão
mostra, o jornal explica” para construir uma outra à luz da
sua investigação: “A rádio e os jornais dão, os jornais
explicam, a televisão mostra ou anima (muito) do que a rádio e
os jornais deram, mas explicando muito pouco”. Dinis Alves
chegou à conclusão de que a maioria dos telejornais são
compostos por notícias “a custo zero”, ou seja, redifundidas
sem sofrerem quaisquer alterações. “Estes circuitos de
realimentação adquirem dimensão tal que os cidadãos que
assistem aos informativos televisivos difundidos em Portugal
vêem, em média, 39% de assuntos tratados anteriormente noutros
telejornais da mesma estação, percentagem referente ao
universo de assuntos veiculados pelos telejornais emissores”.
Além disso, “30,5% destes assuntos são compostos por retomas
sem qualquer actualização da proposta de pivot e da
peça”. Segundo o estudo, “no conjunto das três semanas de
análise registámos 1188 antecipações por parte da rádio e/ou
da imprensa, num total de 1664 assuntos tratados
noticiosamente pelas estações de televisão. Em 71,4% dos
casos, o meio/televisão seleccionou para difusão assuntos já
previamente noticiados pela rádio e pela imprensa, ou só pela
rádio, ou só pela imprensa. Já o inverso se verificou em
apenas 9,5% dos casos (158 antecipações)”. Por isso,
conclui, “as agendas dos meios rádio e imprensa escrita não
são, afinal, meras agendas concorrenciais e até subordinadas à
agenda televisiva, mas agendas-alavanca de parte significativa
do conteúdo da agenda televisiva, deste modo encarada como
agenda-montra de assuntos previamente noticiados por outros
meios”. Para chegar a estas conclusões, o ex-jornalista e
actual professor de fotojornalismo no ISCIA, em Aveiro, passou
a pente fino os telejornais emitidos por quatro canais (RTP1,
RTP2, SIC e TVI), repartidos pelo ano de 1999. Num total de
3.800 noticiários, foram seleccionadas 3 semanas (Janeiro,
Junho e Dezembro), totalizando 215 telejornais, com 3.659
notícias. Dinis Alves procedeu ainda à análise dos noticiários
emitidos pelas três principais estações de radiodifusão
portuguesa (A 1, RR e TSF), respeitantes às mesmas semanas,
num total de 2.344 noticiários, e à análise dos jornais
diários, semanários e revistas.
Melhor canal
temático Canal de História distinguido em Espanha O
Canal de História, que transmite documentários históricos por
cabo, foi distinguido em Espanha como melhor canal temático de
2004, anunciou a produtora Multicanal. O galardão foi
atribuído na VII edição dos Prémios da Academia de Ciências e
Artes de Televisão, uma iniciativa promovida pela entidade
espanhola Academia de Ciências e Artes da Televisão (ATV) que
decorreu no final do mês de Abril, em Madrid. A ATV é uma
instituição pública, sem fins lucrativos, composta por 800
profissionais do mundo da televisão, que premeia anualmente os
melhores trabalhos deste meio em categorias distintas.
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