Coimbra, 21 Dez (Lusa) - Cerca de três centenas de crianças
de todo o país pediram este ano as suas prendas ao Pai Natal, escrevendo para um
blog criado por alunos do Instituto Superior Miguel Torga, de
Coimbra.
As cartinhas, e também alguns desenhos digitalizados de
quem não sabe escrever, estão disponíveis no endereço
http://painatal2005.blogspot.com, tendo também alguns estabelecimentos
comerciais de Coimbra aderido à iniciativa exibindo, nas respectivas montras, os
originais dos pedidos.
A iniciativa dos alunos da licenciatura
"Não podendo garantir a entrega dos presentes, prometeram,
pelo menos, mostrar as missivas ao mundo", refere o docente Dinis Manuel Alves
numa nota sobre o blog Cartas ao Pai Natal.
O blog Cartas ao Pai Natal "constitui-se, assim, como
uma montra dos desejos das nossas crianças. O Pai Natal que se desunhe, porque
há pedidos impossíveis de satisfazer com uma requisição ao tradicional armazém
ou grande superfície", adverte Dinis Manuel Alves, coordenador do
projecto.
Há quem peça o fim das guerras e da pobreza e "sobretudo
que todos fosse amigos" ou ter bons resultados a Inglês e a Matemática, sendo
necessária para esta segunda matéria uma registadora, porque "é a disciplina
mais difícil, principalmente as contas".
Prescindindo dos presentes no sapatinho a favor da harmonia
familiar, uma criança dirige esta mensagem ao Pai Natal: "Eu gosto muito de ti.
Eu acho que me portei bem. Mas se não me quiseres dar nenhuma prenda, eu não me
importo, mas caso queiras dar alguma prenda eu quero que a minha irmã e o meu
pai sejam amigos. Eu sei que isso é quase impossível mas por favor
tenta".
Uma menina pede uma playstation2 e ainda "melhorar a
relação" com a madrasta, outros esperam receber brinquedos como bonecas, animais
de pelúcia, tartarugas Ninja e dinossauros, diversos jogos, livros e
pinturas.
Há quem anseie por uma casota para o cão, "porque ele não
tem" e quem peça "uma prenda que é segredo e não se pode
dizer".
Um dos meninos não pede nenhum bem material para si, apenas
que "todas as crianças tivessem um presente este Natal, que a guerra parasse,
que não houvesse mais tsunamis, que não houvesse
fome".
"Sei que nada disto vai acontecer mas não custa pedir",
conclui.
De acordo com Dinis Alves, "há mais, muito mais outros
trechos saborosos, deixando transparecer a inocência dos autores desta jornada
epistolar" e que são "motivo de sobra" para uma visita ao blog.