O português adora a batata,

mas come-a mal vestido

blue.gif (994 bytes)"Contra números não há argumentos", caso tenham a bondade de aceitar a adulteração deste lugar comum. E os números aparecem impressos em vários jornais, dando-nos conta do estado da Europa nas mais diversas vertentes, uma oportunidade para cotejar a frieza das estatísticas com os discursos triunfalistas dos governantes e dos pró-europeus, mais pessimistas na boca dos oposicionistas e dos eurocépticos. De notar que algumas estatísticas compreendem apenas o universo da UE, enquanto outras alargam o seu âmbito aos 17 países que integram a Europa Ocidental.

Dos recortes analisados, Portugal não surge lá muito beneficiado, bem pelo contrário. É verdade que somos primeiros nalguns sectores, mas na maioria deles um lugar no podium não honra. E também damos cor rubra à lanterna onde melhor seria envergássemos camisola amarela.

PORTUGAL: CAMPEÃO DAS MORTES NA ESTRADA…

E COM OS DENTES MAIS MAL TRATADOS

Somos primeiros nas mortes na estrada, com um índice de 2,68 casos mortais por cada 10.000 habitantes, o que leva o Eurostat a considerar Portugal o país mais perigoso da União Europeia para conduzir.

A Holanda, onde os acidentes rodoviários vitimam por ano 0,92 pessoas por cada 10.000 seres humanos, Reino Unido e Alemanha (ambos com 0,94 mortes) são os países onde é mais seguro andar de carro. (Público, 25/5/94)

Como se tal não bastasse, a mesma notícia dá-nos conta de outro record pouco abonatório: o estado dos dentes dos portugueses é o pior da Comunidade. Portugal regista a percentagem mais baixa de dentistas (0,1%), por cada mil habitantes. Pelos vistos, há necessidade de inverter a política de hostilização aos dentistas brasileiros que demandam o torrão luso.

É também em Portugal que morrem anualmente mais crianças — 9,3 em cada mil nascidas vivas contra 6,2 e 6,3 nos dois países onde morrem menos, respectivamente Alemanha e Holanda.

A nossa esperança de vida à nascença é a mais baixa da UE: 70,7 anos é a idade que, em média, poderemos atingir. Bastante longe da média comunitária, que é de 80 anos para as mulheres e de 73,3 para os homens.

Na área da agricultura, Portugal, onde 82,2 % das explorações agrícolas tem apenas entre 1 a 4 hectares e só 1,6% medem mais de 50 hectares, lidera o grupo de países da comunidade onde a prática desta actividade está mais fragmentada. (Nota 1)

No que toca à disparidade entre homens e mulheres, aí ombreamos com a Alemanha. Segundo o Eurostat, há no território português 51,8% de mulheres contra 48,2% de homens. Simultâneamente, existem 48,3% de alemães e 51,7% de alemãs.

O PORTUGUÊS ADORA A BATATA, MAS COME-A MAL VESTIDO

A taça do maior consumo de batata também fica em Portugal. Cada habitante consome 83 quilos por ano, isto segundo um estudo publicado na revista "Hipersuper" e citado pelo "Público"

Cada português consome mais dois quilos de batata por ano que os restantes europeus. Para dar vazão à nossa apetência pela batata, em 1992 tivémos que importar 300 mil toneladas, das quais 36,1 mil provenientes de França e outro tanto de Espanha.

A acreditar nas estatísticas, apresentamo-nos à mesa (seja para comer batatas, arroz ou grão), um tanto mal vestidos e mal calçados. Os números não descem ao pormenor do número de remendos nas calças nem das meias-solas recauchutadas, mas dizem-nos que somos os membros da UE que menos dinheiro gastamos em vestuário e calçado per capita/ano. Os dados são de 1990, e registam 48.600$00, muito abaixo dos vaidosos italianos, com despesas que atingem neste capítulo os 171.180$00. (Expresso, 1/4/94)

Pouco dinheiro disponível para o vestuário e o calçado, o mesmo se diga para a aquisição de viaturas novas. Ao arrepio da tendência que se verificava na Europa em Maio de 1994, e que contabilizava 12,8% de aumento na venda de viaturas novas, em Portugal registava-se um decréscimo de 0,3%, mesmo assim um honroso penúltimo lugar, dado serem os austríacos a ocuparem a cauda da tabela, com menos 16,5% nos países da Europa Ocidental. (Público, 12/6/94)

A notícia dá-nos conta de que no mês de Maio se transaccionaram naquele espaço mais de um milhão de carros novos, face a idêntico mês do ano anterior. A Dinamarca, com um aumento de 69,8% e a Noruega, com um acréscimo de 55,1%, foram os países que deram o empurrão mais significativo para o revigoramento da indústria automóvel.

Portugal, com 27,4%, é ainda o país que mais produtos importa dos seus parceiros da UE, nos antípodas do Reino Unido, que apenas se socorre dos países da UE para importar 3,1%. (Expresso, 28/5/94)

ALENTEJO NAS SETE REGIÕES MAIS POBRES DA UE

Com estes quadros parcelares, fácil será adivinhar que em Portugal subsistem graves bolsas de pobreza, como é o caso do Alentejo. O "Expresso", na sua edição de 23 de Abril de 1994 dá-nos conta disso mesmo, conjugando dados do Instituto Nacional de Estatística com números fornecidos pelo Eurostat.

Sob o título "Os mais pobres europeus", a notícia diz-nos que a taxa de desemprego no Alentejo atingiu, no primeiro trimestre de 1994, o mais elevado valor de sempre (20%); isto de acordo com estimativas divulgadas pelas estruturas regionais da União de Sindicatos "já confirmadas pelos resultados provisórios do inquérito ao emprego promovido pelo Instituto Nacional de Estatística relativo ao mesmo período".

"Estes dados estão em perfeita consonância com elementos recolhidos junto do Instituto do Emprego e Formação Profissional, que atestam a existência de um total de 45 mil desempregados (só um terço tem direito à atribuição do respectivo subsídio) num universo de 235 mil activos" — refere o artigo da autoria de José Frota, lembrando que há dois meses atrás o Eurostat já colocava o Alentejo entre as sete regiões mais pobres da Comunidade, tendo atrás de si apenas as alemãs da ex-RDA.

O organismo estatístico europeu a classificar uma situação cujas responsabilidades são por muitos atribuídas à UE:

" (…) As associações de agricultores e os sindicatos reclamaram que a longa estiagem apenas viera antecipar a eclosão da profunda crise por que a agricultura alentejana iria passar logo que se começassem a fazer sentir os efeitos resultantes da reforma da PAC" — lê-se ainda no artigo do "Expresso", jornal que na semana anterior publicava um quadro intitulado "Europa mantém taxa de desemprego".

Também aqui se reproduzem dados do Eurostat, baseados em critérios estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho. Reportando-se a Fevereiro de 1994, o Eurostat calculava em 17,6 milhões o total de desempregados na Europa dos Doze, representando assim a manutenção pelo terceiro mês consecutivo do número de desempregados, e um crescimento, se comparado com o valor de 10,1, em relação a Fevereiro de 1993.

A Bélgica, com 9,9%; a Dinamarca, com 10,3%; a Espanha, com 22,9%; a França, com 11,2%; e a Itália, com 11,2%, constituem o pelotão dos países que mantinham as taxas de desemprego estáveis. Melhor performance obtinham a Irlanda e o Reino Unido, que baixaram as taxas de 18,1% para 18%, e de 10,3% para 10,2%, respectivamente.

Os restantes três países da UE aumentaram nesse período as suas taxas de desemprego: a Alemanha — de 6% para 6,1%; o Luxemburgo — de 3% para 3,1%; e Portugal — de 5,7% para 5,9%. (Expresso, 16/4/94)

Segundo o "Correio da Manhã", há poucos portugueses a receber subsídio de desemprego, mas os que recebem não se poderão queixar muito do montante. Aquele diário socorre-se de dados constantes de um estudo da Comissão Europeia, e que coloca Portugal "em primeiro lugar entre os países da UE em matéria de subsídios de maternidade e desemprego e no pior em subsídios por incapacidade e para apoio a famílias monoparentais".

"Os dados (…) revelam que o Reino Unido é o Estado-membro que, em nove items considerados, surge mais vezes em último lugar. Portugal, Espanha e Grécia são os países da UE onde é mais elevada a proporção de pessoas que não tem direito a esses benefícios sociais. Quer isto dizer que — e salvaguardando as distâncias que separam o poder de compra dos diferentes Estados-membros da UE — apesar de alguns dos subsídios pagos não serem muito baixos (para o nível de vida do nosso país), poucos são aqueles que a eles têm acesso". (Correio da Manhã, 18/3/94)

EM PORTUGAL POUCO SE LÊ, MUITO SE VÊ…TV

Não sabemos se o índice de desemprego crescente verificado em Portugal abria o terreno para a estatística seguinte, mas a verdade dos números inserta no "Expresso" de 7 de Maio de 1994 dizia-nos que os portugueses continuavam a ser, na Europa, os maiores consumidores de televisão, logo seguidos dos ingleses, com 258 e 220 minutos por dia, respectivamente.

E como o dia só tem 24 horas, o tempo que resta para a leitura sofre, sofre, sofre…

Para quem lê menos, menos se há-de editar, também. É o caso retratado noutra série de números, desta feita na Assembleia anual da Federação dos Editores Europeus, que reuniu em Lisboa em Maio de 94. O quadro desolador vem referido no "Diário de Notícias" de 7 de Maio de 1994:

"Produzem-se 300 mil títulos de livros/dia, na Europa comunitária, onde a edição cresceu três a oito por cento em 1993. Na Alemanha, 8%; em Espanha, 3%; em Portugal, zero.

Assim vai a maior indústria cultural europeia (18 318 milhões de ecus, para 1230 milhões de livros vendidos em 1992), que rende quatro vezes mais do que a discográfica, três vezes mais do que o cinema e duas vezes mais do que a televisão".

O desemprego existente em Portugal e os magros salários auferidos continuam a empurrar trabalhadores para fora do país. Cerca de 40 mil portugueses emigraram em 1992 — lê-se no "Público", edição de 1 de Maio de 1994, citando um estudo do INE. A França e a Suiça foram os dois principais países de acolhimento.

"Dentre eles, 16.998 são considerados emigrantes permanentes, que pediram para sair do seu país de origem por uma duração superior a um ano, contra 22.324, que são emigrantes temporários. Entre os países mais procurados pelos emigrantes permanentes, estão à frente a França (33%), seguida da Suiça (23%) e da Alemanha (10%). Os Estados Unidos (6%), o Canadá (5%) e a África do Sul (4%), são os países não europeus com mais procura" — lê-se na notícia citada, que adianta ser o Centro de Portugal a região onde se verifica maior sangria de trabalhadores para fora das fronteiras nacionais (com 43% do contingente).

FILHOS DE EMIGRANTES PORTUGUESES NÃO CHEGAM AO LICEU

Os emigrantes que já abandonaram solo pátrio há alguns anos são responsáveis por outros números pouco abonatórios para Portugal. Trata-se aqui do índice de escolaridade dos filhos de portugueses residentes no Luxemburgo, o menor de toda a comunidade estrangeira do grão-ducado. O facto foi revelado durante a exposição denominada "Portugueses no Luxemburgo", e dado à estampa no jornal "Público", edição de 17 de Abril de 1994.

"Apenas 11,2% das crianças estrangeiras residentes no Luxemburgo chegam ao ensino secundário, sendo os portugueses a comunidade com menor percentagem de entradas no liceu — apenas um por cento. A baixa frequência do ensino secundário é ainda mais posta em evidência quando comparada com o peso dos alunos portugueses no ensino básico: por cada 100 estudantes, 24 são portugueses, 12 são italianos e apenas seis são luxemburgueses. Esta situação é atribuída pela comunidade portuguesa à complexidade do sistema de ensino luxemburguês" — adianta o mesmo jornal, lembrando ainda que os portugueses representam 11,6% da população do país, sendo a comunidade estrangeira mais importante (35,5% do total de estrangeiros).

Os portugueses a residir em França alimentam outros dados, divulgados pelo jornal "A Voz das Beiras", de 24 de Março de 1994. Trata-se aqui de divulgar quantos se encontram nas cadeias francesas. São seiscentos, mas o jornal faz uma ressalva:

"(…) sem contar com os Santos, Sousas, Pintos e Silvas que adoptaram a nacionalidade do país de acolhimento".

Este número representa cerca de 1% da população prisional francesa, que atinge 65 mil pessoas.

O facto dos crimes dos portugueses terem na sua maior parte uma componente sexual, leva os presos estrangeiros a rotularem os portugueses de "bananas", por serem condenados por histórias de "rabos de saias".

"De facto desde há algum tempo tem-se assistido a um agravamento dos crimes no seio da comunidade e hoje há mais casos de prisão de portugueses condenados por incesto, violação ou atentado ao poder" — esclarece aquele jornal regional, que se pode dar por satisfeito pelo facto do Eurostat não incluir ainda um departamento de tratamento estatístico das gralhas. A acontecer, o "atentado ao poder" da "Voz das Beiras" por certo iria engrossar o número de gralhas existente, por maior "pudor" que a Comissão Europeia porventura recomendasse no tratamento das gralhas da imprensa regional…!

De criminalidade trata outro artigo, desta feita inserto no jornal "Expresso", de 22 de Janeiro de 94. Assinado por Ana Paula Azevedo, ali se dá conta de um inquérito nacional efectuado pelo Ministério da Justiça, e que conclui que a criminalidade não é, afinal de contas, uma obsessão para os portugueses. E se tal texto é aqui chamado, tal deve-se ao facto de ali se enxertar uma tabela que nos dá conta da prevalência dos crimes por países, sete dos onze referidos pertencentes ao espaço europeu. Estão neste caso, para além de Portugal, a Inglaterra, Holanda, Bélgica, Finlândia, Suécia e Itália; o quadro completa-se com os dados referentes aos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

E serve para demonstrar que Portugal apresenta valores inferiores em todos os items, com excepção dos furtos de acessórios de carros. Ressalva-se que, no total do painel, é em Portugal que se verifica uma menor participação de crimes.

De tónus bastante mais alarmista um artigo publicado no "Jornal da Bairrada", de 27 de Abril de 1994, que reproduz um texto assinado por David Moller, artigo disponibilizado pelas Selecções Reader's Digest. O autor aproveita a onda de perplexidade suscitada pelo assassinato de James Bulger (a criança de dois anos morta em Inglaterra por dois jovens de dez anos de idade), para avançar com uma série de números que cumprem função de corroborar os seus intentos alarmistas.

Ficamos assim a saber que em França o crime violento aumentou 26% em dez anos; na Dinamarca subiu 69%; na Grã-Bretanha e na Holanda quase duplicou. Na Finlândia os assaltos aumentaram cerca de 16% entre 1985 e 1992. Na Suécia, nos últimos cinco anos, houve um acréscimo de 27% no número de adolescentes condenados por ataques e assaltos à mão armada.

"Uma outra tendência desconcertante é o uso de armas. Em Portugal os assaltos armados aumentaram 43% entre 1991 e 1992; os assaltos a bancos cresceram 64%" — afirma Moller, muito preocupado com a violência gratuita presente em muitos dos crimes praticados por delinquentes jovens. Uma das causas que descortina para tal surto de violência reside no número crescente de famílias monoparentais, na Europa:

"As estatísticas mais recentes da UE mostram que praticamente uma em sete famílias com filhos em França, Espanha e Itália é monoparental (quase sempre sem pai). Em Portugal, Holanda e Bélgica, este valor eleva-se a cerca de 16%; na Irlanda e Reino Unido, a 18,5%; na Dinamarca, a 22%".

ADOLESCENTES GRÁVIDAS, SIDA, HOMOSSEXUAIS CASADOS, ÁLCOOL E PIRATAS

A Europa ainda se pressente noutros números, neste meio ano de viagem por alguma imprensa portuguesa.

Por exemplo, o record de adolescentes grávidas.

O jornal "A Voz das Beiras" esclarece-nos que o podium pertence à Grã-Bretanha:

"Os britânicos, com o seu espírito puritano, estão a braços com a mais alta taxa de adolescentes grávidas da Europa Ocidental. Em 1991, em cada mil raparigas, 65,3 estavam grávidas".

Por exemplo, o record de casos de sida. Os números vêm publicados no jornal "Público" de 17 de Abril de 1994:

"A França é o país da Europa Ocidental mais afectado pela sida, com mais de 32.000 doentes declarados e 150.000 seropositivos. Em mais de 5000 casos de sida declarados em 1993, 39,3% foram originados por relações homo ou bissexuais, 27,5% pela toxicodependência, 15,7% por relações heterossexuais, cerca de 12% por causas desconhecidas e 3,3% por transfusão sanguínea".

Ou, por exemplo, o número de homossexuais dinamarqueses (masculinos e femininos), que se casaram desde 1989:

"2810 homossexuais casaram-se depois do dia 1 de Outubro de 1989, data em que a Dinamarca foi o primeiro país no mundo a autorizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, isto segundo o Instituto Nacional de Estatística Dinamarquês" (Público, 20 de Março de 1994).

Outros números referem-se ao consumo de álcool. Aqui, os alemães levam o copo de ouro:

"Os alemães tornaram-se campeões em todas as categorias no consumo de álcool, com uma média anual de 150 litros de cerveja e de 12,1 de álcool puro (etanol) por habitante, segundo revelou o Gabinete Federal da Saúde (BGA).

Os alemães, que triplicaram o seu consumo de álcool depois dos anos 50, destronaram a França no "hit-parade" mundial dos bebedores. Os alemães de Este bebem um litro a mais por ano em relação aos seus concidadãos de Oeste. O BGA sublinha que as despesas de saúde por causa do abuso de álcool elevam-se em média, só para a Alemanha de Oeste, em 30 mil milhões de marcos alemães (cerca de 3,075 mil milhões de contos por ano)" (Público, 1 de Maio de 1994)

Outros ainda referem-se aos piratas europeus no domínio da informática:

"A indústria de software europeia perdeu mais de 4,9 mil milhões de dólares (cerca de 840 milhões de contos) com a pirataria informática em 1993, apesar da taxa média de material ilegal em utilização ter descido 61%, segundo estimativas da organização mundial Business Software Alliance (BSA).

No total, a pirataria custou, só no ano passado à indústria do sector, mais de 12,8 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de contos) em 54 países, contribuindo a Europa — o maior mercado, representado por 19 países — com a maior fatia do amargo bolo: 38% do total.

(…) A Itália tem sido o país com mais êxito no combate ao software ilegal, tendo passado de uma taxa de 82% em 1992 (a mais alta na Europa), para 50% em 1993 e os actuais 36%" (Diário de Notícias, 13 de Maio de 1994).

MAIS MULHERES NA EUROPA, MAIS HOMENS NOS PARLAMENTOS

Quase a concluir, dados referentes à percentagem de mulheres no conjunto da população europeia. Aqui não é a posição de cada país que se leva em linha de conta, mas sim a soma europeia, para se chegar à conclusão do défice de representação feminina no Parlamento Europeu:

"As mulheres representam 51% da população europeia, mas apenas 19,3% dos membros do Parlamento Europeu são do sexo feminino. Por este motivo, a Comissão Europeia (CE) vai promover uma campanha contra a situação. De acordo com a CE, só 19,3% dos 518 membros do Parlamento Europeu são mulheres, percentagem que é apenas de 11,3% nas Assembleias Parlamentares dos doze Estados-membros da Comunidade. (…) A participação das mulheres na tomada de decisão política não registou, na maioria dos países europeus, qualquer melhoria desde a década de 70" (Público, 20 de Abril de 1994)

QUANTOS VOTOS "CUSTA" UM DEPUTADO?

Por último, o jornal "Público" fez contas para saber quantos votos necessitaria um candidato português a Estrasburgo, para conseguir a eleição. Em média, e presumindo uma abstenção na ordem dos 50%, careceria de 172 mil votos. Contas feitas de que forma?

"Este valor é apurado dividindo o número estimado de votantes pelo número de mandatos em disputa (25), tendo em conta o valor idêntico de abstenção registado nas eleições de 1989 (49%)".

bullete5.gif (1261 bytes) Nota 1.  Estes números não condizem com os publicados dois meses antes pelo "Expresso". Tendo também como fonte o Eurostat, Portugal aparece, não no topo dos países com explorações agrícolas mais fragmentadas, mas em terceiro lugar. Segundo os dados publicados por aquele semanário, Portugal tem neste capítulo uma dimensão média de 7 hectares, enquanto a Itália tem 6 e a Grécia 4 hectares. (Expresso, 12 de Março de 1994)

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