Sondagens

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blue.gif (994 bytes)Não é novidade para ninguém que hoje tudo se passa mais depressa, com os cidadãos embalados na vertigem de quererem ultrapassar o ritmo natural dos acontecimentos, antecipando os seus resultados, as suas consequências.

As fotografias que antes levavam dias entre a pose e a descoberta do duplo no papel, levam agora fugaz meia hora a escancacarem o momento em que estivémos a olhar o passarinho. Isto sem contar com as polaroids e as máquinas digitais, que reduzem esse intervalo a segundos. Os bébés já nascem com sexo mais que conhecido, e fartos de ser fotografados através das ecografias, que hoje em dia inauguram os álbuns de fotografia das crianças.

Os resultados eleitorais, que nos tempos de antanho demoravam tempos imensos a serem conhecidos, hoje resolvem-se em poucas horas. E sem surpresas de maior, porque as sondagens já se encarregaram de descortinar vencedores e derrotados.

Não há campanha eleitoral que viva sem sondagens, encomendadas sejam elas pelos órgãos de comunicação social, por instituições diversas e pelos próprios participantes na corrida ao voto.

A sondagem constitui hoje um indicador precioso para os políticos saberem se conduzem o barco eleitoral no rumo certo, ou se devem e em que grau mudar as agulhas para terrenos mais propícios à caça ao voto.

Terão poventura o seu lado pernicioso, por se constituírem em factos, em notícias e sucessivas interpretações, roubando cada vez mais espaço ao debate e divulgação de ideias e projectos dos concorrentes num determinado pleito eleitoral.

Bajuladas quando favoráveis, depreciadas quando castigadoras, a verdade é que nenhuma eleição que se preze se prezará se não debitar um rol imenso de sondagens para eleitor consumir.

Falamos das sondagens que dão a cara, não daquelas que os partidos vão dizendo que têm em sua posse, e que dão sempre resultados diferentes dos das sondagens publicadas nos jornais. Geralmente são os partidos que levam tareia nas sondagens que aspergem com as suas, quais cortinas de fumo destinadas a enevoar os efeitos das que por esses mesmos partidos não foram encomendadas.

Já sem falar nos resultados díspares que por vezes apresentam — quer por erros na sua feitura, quer por não se poderem cotejar com seriedade atendendo aos diferentes métodos utilizados —, basta atentar nas diferentes interpretações que uma sondagem provoca para que se possa questionar hoje em dia o grau de eficácia das mesmas, e o grau de eficácia da sua divulgação.

Num dos recortes respigados, o social democrata e Ministro dos Negócios Estrangeiros Durão Barroso diz ironicamente que o PS ganha sempre nas sondagens. Atendendo aos dois pleitos eleitorais anteriores, e sendo verdade que ambos foram ganhos pelos socialistas, também é verdade que as vitórias tangenciais do partido liderado por António Guterres ficaram muito aquém do triunfalismo de várias das sondagens divulgadas durante as antevésperas e as vésperas do dia da chamada às urnas.

Não é preciso atermo-nos a esta situação concreta para constatarmos que a divulgação de uma sondagem pode influir no desenrolar de uma campanha eleitoral. Duvida-se que os estados-maiores partidários apreciem vivamente a divulgação de sondagens muito a seu favor. Tal pode constituir um efeito desmobilizador junto do eleitorado menos politizado, que não raro se deixa embeber pela tendência "já está no papo, o meu voto não aquece nem arrefece!"

Mas sondagens que coloquem um partido no rodapé do quadro de candidaturas também pode levar ao tombar de braços, ao aceitar à partida o fatalismo de uma derrota que se augura estrondosa. E aqui, o eleitor pode muito bem desinteressar-se de fazer campanha pessoal, poupar esforços na sua função de líder de opinião, como pode também decidir passar-se para o campo dos vencedores anunciados.

Falámos até aqui das sondagens destinadas a descortinar um vencedor. Mas outras há que nos vão dando conta de outros pormenores directamente relacionados com os temas em debate numa campanha eleitoral. Estas têm sem dúvida um efeito bastante mais positivo, ajudando a desencadear o debate sobre determinados assuntos candentes e que se ligam à batalha eleitoral. Noutros casos, essas sondagens temáticas já são elas próprias empurradas pela agenda de assuntos que determinado candidato ou candidatos resolvem lançar para a arena política. De umas e de outras demos conta nas eleições europeias.

E também notámos as sondagens que se utilizam da eleição do momento para saberem como vai ser a próxima eleição, mesmo que esteja a um ano ou mais de distância. Se dúvidas houvesse quanto à secundarização das eleições europeias em relação às legislativas, a realização das sondagens tendo já em vista o comportamento dos eleitores no que toca à Assembleia da República denotam a maior importância dada pelos agentes políticos e pelos media às eleições internas. Jornais houve que foram mesmo para além das legislativas, interrogando já os cidadãos sobre as suas preferências quanto às presidenciais de 1996.

Por último, de referir ainda que o facto de se tratar de eleições europeias levou alguns jornais a publicarem sondagens referentes ao previsível comportamento eleitoral de cidadãos doutros países da UE. Alargando ainda mais o espectro, foi dado nas europeias de 1994 especial ênfase às sondagens sobre o comportamento dos cidadãos de países que, não sendo ainda membros da União Europeia, estavam já à porta para entrar ( casos da Noruega, Finlândia, Suécia e Áustria).

Damos conta a seguir de alguns recortes que respigámos referentes a sondagens.

MANUEL MONTEIRO O MAIS POPULAR

A 5 de Março, no Painel regular do jornal "Expresso", intitulado "Painel Expresso/Euroexpansão", Manuel Monteiro aparecia como o líder mais popular dos partidos oposicionistas. Se bem que este painel não estivesse directamente relacionado com as eleições europeias, a verdade é que o lugar ocupado por Monteiro relevava já da sua posição como futuro cabeça-de-lista do seu partido às eleições de 12 de Junho. Essa é a interpretação de José António Lima:

"O líder do CDS/PP, por seu turno, regressou à ribalta política após um período de menor protagonismo. Manuel Monteiro saiu reforçado e com melhor imagem do Congresso do seu partido (…) apareceu em várias entrevistas televisivas e ocupou um lugar de destaque para os próximos meses como cabeça-de-lista do seu partido ao Parlamento Europeu".

Monteiro a subir, em relação ao mês anterior, enquanto Guterres e o Partido Socialista perdiam os primeiros lugares que vinham ocupando naquele painel. Para o jornalista, "esta derrapagem do PS, que perde quatro pontos num mês, e do seu secretário-geral, que não consegue confirmar um primeiro lugar indiscutível entre os líderes da oposição", revela "um apagamento político pouco auspicioso a três meses das eleições europeias (e quando ainda apenas passaram dois meses sobre a última vitória autárquica)".

Em contrapartida, Cavaco Silva obtinha ali o seu melhor score dos últimos meses, vendo também o PSD ascender ao primeiro lugar, o que é considerado pelo intérprete deste painel como "um bom augúrio para as difíceis eleições de Junho próximo". (Expresso, 5 de Março de 1994)

SOCIALISTAS COM 26,5%

Mas a 22 de Abril, uma sondagem do jornal " O Independente" vinha escavacar o bom augúrio laranja. O jornal titula já "PSD perde europeias", atentos os 26,5% atribuídos ao PS, contra 19,6% para o PSD. O CDS vinha a seguir com 15%, a CDU a longa distância com 5,7%, e a margem de indecisos era à época altíssima — 33,2%.

A sondagem divulgada pelo jornal " O Independente", e realizada pela Universidade Católica, abarcava outros items. Chamados a atribuir notas aos líderes dos quatro maiores partidos portugueses, Cavaco Silva encabeçava o quadro de honra, com 8,2; António Guterres aparecia a seguir com 7,6; depois Manuel Monteiro com 7,1; e por último Carlos Carvalhas, com 5,5.

No que toca às qualidades do que governa o país e dos que governam os seus partidos na oposição, os sondados faziam sobressair a inteligência de Cavaco Silva, logo seguida da competência. Em honestidade, sinceridade, firmeza, eficácia, inteligência e competência, Cavaco batia aos pontos António Guterres. O Primeiro-Ministro era considerado também mais culto que o líder dos socialistas. Só na tolerância e no humanismo é que Guterres batia Cavaco, que obtinha o seu pior resultado na sinceridade.

AS LEGISLATIVAS AÍ TÃO PERTO…

Perspectivando o futuro mais longínquo, a sondagem também se debruçava sobre as legislativas de 1995. O PS seria vencedor, com 36,6%, seguido do PSD com 25,8%; a CDU aparecia em terceiro lugar, com 6,3%; o CDS/PP em quarto, com 5,6%. Um por cento para outros partidos, com 24,7% de indecisos.

…E AS PRESIDENCIAIS NÃO TÃO LONGE COMO ISSO

Olhando mais longe ainda, inquiriram-se os cidadãos sobre as presidenciais. Ramalho Eanes e Cavaco Silva apareciam a par no topo da tabela, registando 15,9% de preferências cada. Só depois surgia Jorge Sampaio, com 14,3%. Mais para baixo, os nomes de Fernando Gomes, Lucas Pires, Adriano Moreira e Eurico de Melo.

CONFIANÇA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

E para cortar cerce a tendência indomável dos políticos de zurzirem no trabalho da comunicação social, o jornal publicava ainda dados referentes à confiança que os media portugueses obtinham junto dos cidadãos:

"É um resultado que muitos não esperavam e que pode deixar perplexos muitos políticos. Os jornais, rádios e televisões têm a confiança da maioria dos inquiridos na sondagem da Universidade Católica. Os números não deixam margem para dúvidas. 54,8% declararam que têm confiança na Comunicação Social, contra 39,3% que manifestaram a sua "desconfiança" nos jornalistas. Em relação a esta questão, 5,9% dos inquiridos não se pronunciaram". (O Independente, 22 de Abril de 1994).

Seis dias antes, a Alta Autoridade para a Comunicação Social divulgava uma circular na qual considerava oportuno recordar as regras relativas à realização e publicação de sondagens eleitorais, entre as quais a necessidade da amostra das sondagens ser representativa do universo a abranger e as perguntas não indiciarem as respostas.

Atendendo à confiança que os consumidores dos media mostravam depositar nesses mesmos media, o aviso pareceria descabido. Atendendo à discrepância dos resultados das sondagens com os verificados a 12 de Junho, alguma coisa haverá por certo que afinar…

EUROPEIAS: AS ELEIÇÕES QUE MENOS INTERESSAM AOS PORTUGUESES

Uma semana depois, o jornal "Expresso" publicava uma sondagem dedicada em exclusivo às eleições europeias. Os inquiridos consideravam Manuel Monteiro como o melhor cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu, entre os primeiros candidatos dos quatro principais partidos. Monteiro alcançava 29% dos sufrágios, dois pontos percentuais à frente de Eurico de Melo. António Vitorino, com 19%, quedava-se a dez pontos do líder centrista, e Luis Sá aparecia cá muito no fundo da tabela, com apenas 4%.

Manuel Monteiro vencia também em toda a linha numa outra pergunta da sondagem:

"Só ele e Luís Sá surgem como os melhores candidatos que poderiam ter sido escolhidos pelos seus partidos" — adianta o semanário, que também aproveitou a deixa para inquirir os eleitores do grau de importância atribuído às eleições europeias. O resultado não é de estranhar:

"Estas eleições europeias são consideradas as menos importantes no confronto com autárquicas, legislativas e presidenciais. As legislativas do Outono de 95 surgem, aliás, como o acto eleitoral de maior relevância neste ciclo de sucessivas consultas ao voto dos portugueses. Para 64% dos inquiridos, as legislativas têm mais importância do que as europeias de 12 de Junho (têm menos para 10% e igual importância para 20%). Também as presidenciais do início de 96 são mais importantes do que as próximas europeias, isto para 62% dos portugueses (menos para 11% e igual para 20%). Só as autárquicas que se realizaram em Dezembro passado apresentam valores mais baixos: 41% dizem que são mais importantes que as do Parlamento Europeu, 17% que o são menos e 33% que têm igual importância". (Expresso, 30 de Abril de 1994)

UMA SONDAGEM PARTIDÁRIA E TRÊS VERSÕES

O jornal "O Independente", na sua edição de 13 de Maio, dá-nos à estampa uma das tais sondagens encomendadas pelos partidos, e de que fazíamos referência genérica na introdução a este texto.

"É uma sondagem laranja com várias versões" — refere o jornal, "versões para todos os gostos e paladares":

"Numa, o partido de Cavaco vai à frente dos socialistas. Destacado. Noutra, PSD e PS estão quase a par. Numa terceira, são os socialistas que lideram, com os sociais-democratas muito perto. Em todas elas, CDS/PP e CDU têm o destino traçado: Manuel Monteiro não ultrapassa os 8% e Luís Sá pode chegar aos 10%".

Segundo este semanário, Nunes Liberato, secretário-geral do PSD, encomendara uma sondagem a uma empresa especializada, tendo começado a segredar os seus resultados no jantar do 20º aniversário do partido, realizado no Porto:

"A partir daí, instalou-se a confusão. Com extrapolações pelo meio. É que, dizem alguns, os valores fornecidos pela empresa ainda não estavam definitivamente trabalhados. Eram, apenas, resultados em bruto".

As sondagens, pau para muita colher:

"Três verdades para uma sondagem apenas. Como dizia a "O Independente" um dirigente distrital, "há versões para todos os gostos e feitios: para os optimistas, para os pessimistas e para os que não ligam quase nada a estas eleições". (O Independente, 13 de Maio de 1994)

SOCIALISTAS A SUBIR EM "O INDEPENDENTE"…

Uma semana mais tarde, o mesmo jornal voltava à carga com nova sondagem realizada pela Universidade Católica. O PS e António Vitorino continuavam a liderar bem à frente na corrida para as europeias de 12 de Junho. O PSD e Eurico de Melo surgiam a nove pontos de distância.

Cotejando esta sondagem com a divulgada pelo mesmo semanário um mês antes, verificamos que o Partido Socialista passa de 26,5% para 32,4%; o PSD passa de 19,6% para 23,3%; o CDS desce de 15% para 14%; e a CDU sobe de 5,7% para 8,4%.

Os socialistas ganhavam assim vantagem em relação à sondagem anterior, aumentando o intervalo que os separava dos sociais-democratas de 6,9% para 9,1%.

Nesta sondagem, os indecisos baixavam de 33,2% para 21,9%.

No que toca às legislativas de 1995, o PS continuaria a ganhá-las, caso se realizassem à data do inquérito; Guterres continuava "com poucas virtudes" comparativamente a Cavaco Silva. Apesar de virtuoso, Cavaco descia no quadro de honra, passando da nota 8.2 para a nota de 7.7.

Nas presidenciais, Cavaco Silva descolava agora de Ramalho Eanes. O líder do governo passava de 15,9% em Abril para 19% em Maio, enquanto o ex-Presidente da República descia uma décima, passando de 15,9% para 15,8%. (O Independente, 20 de Maio de 1994)

…E A SUBIREM AINDA MAIS NO "EXPRESSO"

No dia seguinte, o "Expresso" publicava uma sondagem composta por mil entrevistas, no sistema de voto secreto. A consulta dava a vitória ao PS por uma larga margem de diferença em relação ao PSD. Os socialistas obteriam 39,4% de votos, contra apenas 26,2% para os social democratas. A CDU aparecia em terceiro lugar, com 9% dos sufrágios, quedando-se o CDS/PP no quarto posto, com 7,4%. Os indecisos reduziam-se aqui a 10,8%.

Números que levavam o jornal a afirmar: "Neste momento o PS tem a vitória praticamente assegurada em 12 de Junho próximo, faltando saber a amplitude de que se revestirá".

O "Expresso" fazia também a inevitável ligação às legislativas de 1995:

"Um triunfo eleitoral que, a confirmar-se, sucederá à vitória socialista nas autárquicas de Dezembro último, colocando o PS numa posição vantajosa de partida para as legislativas do próximo ano" (Expresso, 21 de Maio de 1994)

Vitória do PS adivinhada, com reacções dos líderes de outros partidos da oposição. Carlos Carvalhas, secretário geral do PCP, considerava a 26 de Maio uma "manifestação de arrogância" o facto de António Guterres se assumir como leader da oposição:

"Guterres é apenas o líder de um PS que em muitos aspectos não se distancia do PSD" — sustentava o dirigente comunista, reagindo aos resultados de uma sondagem publicada no "Diário de Notícias", e que atribuía ao secretário geral do PS a liderança da oposição. (Público, 27 de Maio de 1994)

O campeonato das sondagens a tomar o tempo ao discurso dos políticos, fazendo ressaltar a vertente competitiva das eleições. Ressabiado com os resultados das sondagens, e tentando que os militantes laranjas não soçobrassem perante indicadores tão fatalistas, Durão Barroso descansava os militantes do seu partido:

"O PS ganha as sondagens, nós ganhamos as eleições!" — ironizava. (Diário de Notícias, 29 de Maio de 1994)

FINLANDESES QUEREM ADERIR…

Mas nem só dos barómetros das intenções de voto dos portugueses se alimentou a imprensa. A 23 de Março, o "Diário de Notícias" dava conta do que se passava na Finlândia, quanto à adesão dos finlandeses à adesão europeia. Para ficarmos a saber que, "ao contrário dos dois outros candidatos escandinavos — a Suécia e a Dinamarca, onde as sondagens têm registado uma elevada percentagens de "nãos"—, os finlandeses se mostravam maioritariamente adeptos dessa adesão. 42% a favor do sim, contra 27% de hostis e 30% ainda indecisos.

O jornal adiantava ainda explicação para os resultados:

"Comentadores em Helsínquia afirmam que esta posição favorável à UE é motivada pela recessão que atinge o país, reflectida nos 20% de desemprego, assim como pela insegurança perante a instabilidade na vizinha Rússia. O acordo do governo finlandês com Bruxelas prevê a concessão de subsídios aos agricultores, que constituem a principal base de apoio do partido do primeiro-ministro Aho". (Diário de Notícias, 23 de Março de 1994)

…SUECOS NEM POR ISSO …

Um mês depois, o mesmo diário publicava uma notícia contendo dados curiosos: enquanto a maioria dos suecos afirma ir votar "não", os mesmos suecos estão convencidos de que o "sim" ganhará:

"Uma clara maioria dos eleitores suecos mostra-se convencida de que o "sim" à União Europeia vai vencer o referendo marcado para 13 de Novembro. Contudo, em todas as sondagens sobre a adesão publicadas na Suécia desde meados do ano passado, a maioria dos entrevistados afirma ir votar "não" à entrada do país na UE" — escreve o correspondente em Oslo do "DN". E acrescenta:

"O recente entusiasmo dos governantes pela conclusão dos tratados de adesão comunitária não alterou o cepticismo dos Suecos sobre a entrada para o clube dos Doze. As mais recentes sondagens de opinião pública mostram que, a haver agora um referendo na Suécia, o movimento Não à UE venceria com 54% dos votos expressos.

Pelo contrário, quando interrogados sobre o resultado provável do referendo, 55% dos suecos pensam que o "sim" vai sagrar-se vencedor". (Diário de Notícias, 25 de Abril de 1994)

… E NORUEGUESES PARA LÁ CAMINHAM

A 8 de Maio, o jornal "Público" dava notícia de outras reticências quanto à adesão à União Europeia. Desta feita os sondados são os noruegueses, cuja oposição à adesão continuava a crescer, de acordo com a sondagem publicada no jornal "Aftenpost". 40% dos noruegueses votaria "não", mesmo que os países vizinhos também candidatos à adesão, Finlândia e Suécia, adiram, havendo 36% de votantes a favor da integração e 23% de indecisos. (Público, 8 de Maio de 1994)

SUECOS PERSISTEM NO "NÃO"

A 16 de Maio, o "Diário de Notícias" dava conta da manutenção do pendor de contestação dos suecos no que toca à adesão à UE. Uma sondagem do jornal Goeteborgs-Posten dava 40% contrários à adesão, para 34% de intenções de votos favoráveis à adesão, e 27% de indecisos.

A 30 de Maio, o mesmo jornal voltava a dar conta do barómetro das intenções de voto na Suécia. Segundo resultados divulgados pelo Instituto "Temo" e publicados pelo "Dagens Nyheter", 42% dos suecos continuavam a manifestar-se contrários à adesão do seu país à União Europeia. Os adeptos do acordo decresciam três pontos percentuais no prazo de um mês (de 34% para 31%), enquanto 27% se mantinham indecisos. (Diário de Notícias, 30 de Maio de 1994)

DIREITA VAI GANHAR EM FRANÇA

A dez dias da realização do acto eleitoral em Portugal, o jornal "Público" dava conta das tendências de voto em França, com base em dois inquéritos publicados pelas revistas "Paris-Match" e "Express". E ficávamos a saber que a lista única da coligação de direita francesa ao PE, que reunia a UDF, o RPR e os liberais neo-gaullistas, se mantinha à frente, de acordo com as tendências de voto evidenciadas pelas duas sondagens. (Público, 2 de Junho de 1994)

VITÓRIA EM ESPANHA PARA O PP

O Partido de José Maria Aznar era dado a 16 de Maio, no "Diário de Notícias", como "o grande vencedor das eleições europeias", em Espanha. Vaticínio reproduzido do jornal "El Mundo", segundo o qual o PP conseguiria uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o Partido Socialista Operário Espanhol.

Sondagem que não perdia de vista a situação interna no país vizinho. Para o mesmo dia das europeias estavam marcadas eleições regionais na Andaluzia. E também aí o PSOE se aprestava a uma flagelação, perdendo a maioria absoluta que mantinha há vários anos.

SONDAGENS TEMÁTICAS

No que toca às sondagens temáticas, dentro da UE, elas surgiram na imprensa portuguesa versando os mais diversos temas: desde o fervor nacionalista, passando pelos medos dos europeus, até à fobia dos europeus quanto à lavagem de roupa à mão…

SONDAR A "VENDA DO PEIXE" ELEITORAL

O jornal "Público" dava-nos conta, a 6 de Maio, de uma sondagem curiosa, através da qual ficávamos a saber que mais de 30% dos entrevistados no âmbito de um inquérito realizado pelo Instituto Erasmus no Porto consideravam a publicidade "uma técnica que os partidos e políticos utilizam para enganar eleitores".

O inquérito referia ser esta opinião partilhada por 32,7% dos cerca de 700 inquiridos. O mesmo estudo, realizado na região do Grande Porto, referia que 40% dos entrevistados consideravam que "os políticos e os partidos utilizam a publicidade para "pedir votos", enquanto apenas 10% entendem que a utilização da publicidade se destina a divulgar mensagens".

Ainda segundo o mesmo jornal, "a maior parte dos entrevistados — 35 por cento — consideram que a publicidade e a propaganda contribuem muito para a obtenção de um bom resultado eleitoral".

A televisão, com 82%, é o meio de comunicação a que os inquiridos prestam mais atenção durante as campanhas eleitorais, batendo largamente os jornais, com 5%, e a rádio, com 4%. Para a maioria dos entrevistados — 55% — o PSD foi o partido que mais investiu em publicidade e propaganda durante as últimas eleições autárquicas.

UM CAMPEÃO MUNDIAL EUROPEU

Para que se não acusassem os portugueses de anti-europeísmo, na sondagem publicada pelo "Expresso" a 10 de Junho, o favoritismo para a conquista do Mundial de Futebol era atribuído aos italianos, nossos parceiros na UE. O Brasil ficava relegado para segundo lugar, vindo em terceiro outro parceiro comunitário, no caso a Alemanha. (Expresso, 10 de Junho de 1994)

ABAIXO OS TANQUES

Uma coisa parece certa, a acreditar nos dados de outra sondagem surgida na imprensa: se algum europeu entusiasta do futebol fosse bafejado pela sorte de se tornar possuidor de uma camisola de um dos jogadores do escrete canarinho ou da squadra azzurra, o suor das mais de duas horas da final não seria retirado através de uma lavagem à mão. É que os europeus detestam tal tarefa, segundo uma sondagem efectuada em Portugal, Grã-Bretanha, Holanda, Suiça, Alemanha, França, Espanha, Itália e Grécia.

Esta sondagem, realizada por uma empresa produtora de detergentes concluiu que as famílias europeias preferem formas cada vez menos complicadas na lavagem da roupa, optando pelo uso das máquinas, razão porque as utilizam "52 milhões de vezes por dia". (Diário As Beiras, 22 de Abril de 1994)

Mas em cada país onde foram seleccionados os inquiridos há gostos diferentes quanto às peças de roupa que cada um mais gostava de lavar. Os franceses adoram a roupa dos desportistas, os alemães as dos políticos, os italianos as dos artistas, os espanhóis as das estrelas de cinema, estando os ingleses voltados para as personalidades da televisão. De Portugal não se dá conta das preferências, intuindo-se o silêncio como querendo dizer que já se dão por contentes em poderem lavar a sua própria roupa. Não é o português um "verdadeiro artista"? Porque precisa então de lavar a roupa de outras estrelas, suas concorrentes…

A sondagem desce ainda a outros pormenores. 58% dos entrevistados vê-se às aranhas para conseguir remover na totalidade as chamadas nódoas difíceis, como sejam as provocadas por gorduras (57%), molho de tomate (56%), fruta (54%) e sangue (52%).

28% preocupa-se com as cores desbotadas, 21% com o toque áspero e 18% com o encolhimento.

Os resultados, divulgados por uma empresa da indústria de detergentes que acabava de lançar um novo produto em Portugal, apontavam ainda para a utilização preferencial de lavagens a baixas temperaturas, com recurso a aditivos que permitam tornar a roupa mais macia.

Aos inquiridos nada se perguntou quanto à lavagem de roupa suja pelos políticos nos comícios…

MUITO PELA NAÇÃO, POUCO CONTRA O FEDERALISMO

E quando os candidatos se vestiam, uns com roupas mais nacionalistas, outros mais federalistas, o "Expresso" avançava com uma sondagem através da qual se inquiria o seu painel fixo de sondados quanto ao pendor nacionalista de cada um.

"Apenas 9% dos portugueses se consideram 'pouco' ou 'nada' nacionalistas" — avança o jornal.

"Numa escala de 1 a 5, 23% colocam-se no nível máximo de sentimentos nacionalistas, 20% dizem-se 'bastante' nacionalistas e 36% situam-se no valor médio".

Num momento em que a questão do nacionalismo por contraponto com o federalismo ganhou grande actualidade política (estávamos a 26 de Março), "os portugueses não parece verem uma contradição essencial entre os dois valores: 51% diz, igualmente, que estão de acordo com a integração de Portugal, no futuro, nuns Estados Unidos da Europa, contra 27% (e 22% que não têm opinião formada)". (Expresso, 26 de Março de 1994)

A EUROPA FAZ BEM…

Os portugueses não se manifestavam nada descontentes com a integração do país na UE, segundo viria a ser revelado pelo mesmo jornal, dois meses depois:

"Os eleitores portugueses continuam a revelar-se maioritariamente satisfeitos com a integração do país na União Europeia e favoráveis ao avanço da união política da Europa dos Doze. O optimismo quanto às vantagens que advêm para Portugal da sua integração europeia é, no entanto, mais moderado do que em Fevereiro passado —quando se realizou a última consulta trimestral ao Painel Expresso/Euroexpansão, ainda sob os efeitos da aprovação do 2º Quadro Comunitário de Apoio, no qual se consagrou a entrada mensal de cerca de 50 milhões de contos até 1999 em fundos comunitários" — adianta o "Expresso", notando de seguida constância na opinião dos portugueses, neste capítulo concreto:

"Um ano depois de se ter efectuado a primeira sondagem deste painel sobre temas europeus, verifica-se que o grau de satisfação dos portugueses quanto à sua participação na Europa comunitária se mantém com valores muito semelhantes. Na verdade, 58% dizem que o país está a ser 'beneficiado' (eram 56% há um ano) e 32% têm opinião contrária (eram 31% em Maio de 93)".

Segundo aquele semanário, estes números "revelam a existência de uma larga maioria apoiante do processo de integração", sendo de destacar, no entanto, a oposição de alguns sectores: "o eleitorado do interior (37%) e do sul do país (35%) que em mais de um terço entende que Portugal está a ser 'prejudicado', assim como os votantes da CDU (59%) e do CDS/PP (47%)".

Outros dados da sondagem têm a ver com a maior ou menor velocidade no processo de avanço para a união política da Europa:

"Na véspera de umas eleições europeias, quando os debates da campanha obrigaram a um 'centrismo' das posições políticas — os adeptos do federalismo quase se extinguiram e os seus opositores moderaram o discurso nacionalista com profissões de fé europeístas —, é curioso constatar que uma amplíssima maioria de mais de dois terços dos portugueses continua a afirmar-se defensora do avanço da união política da Europa (35% dizem que deve avançar mais depressa e 38% mais devagar, num total de 73%). São apenas 12% os que se opõem radicalmente ao reforço da união política, considerando que ela 'deve parar', com destaque para as vozes da CDU (30%) e CDS/PP (20%), bem como do eleitorado urbano (16% contra 9% do eleitorado rural)".

Aquele semanário chama ainda a atenção para a baixa percentagem de portugueses "que não têm opinião formada ou se desinteressam destes temas europeus: só 10% a 15% não sabem ou não desejam pronunciar-se sobre as questões que lhes foram colocadas". (Expresso,28 de Maio de 1994)

… OS GOVERNOS NACIONAIS NEM POR ISSO

O avanço na caminhada para a união política da Europa pode servir para compensar os desgostos sofridos pelos portugueses quanto às virtualidades da democracia intra-muros. Segundo uma sondagem encomendada pelo Eurostat a poucos dias das eleições, e divulgada pelo jornal "Público", sondagem tendente a saber o que pensavam os europeus das suas democracias nacionais, os números referentes a Portugal indicavam que 41% dos entrevistados não se encontravam satisfeitos com a democracia no seu país.

O nível de insatisfação só ficava abaixo dos 30% na Dinamarca, no Luxemburgo e na Irlanda.Nos demais países, as críticas traduziam-se em números "que vão dos 43% de reprovação na Bélgica aos 77% na Itália".

Quanto à democracia comunitária, o grau de insatisfação variava entre os 18% na Irlanda e os 57% na Grécia. Em Portugal, 32% mostraram-se descontentes com a democracia na União Europeia. (Público, 6 de Junho de 1994)

PE COM MAIS PODERES…

No mesmo dia, o "Diário de Notícias" dava conta de uma sondagem encomendada também pela União Europeia, não se descortinando se se tratava ou não da mesma sondagem a que o jornal "Público" fazia referência. No caso do "Diário de Notícias", o enfoque é dado aos poderes do Parlamento Europeu, cujo aumento é defendido por 44% dos europeus, contra 33% que desejava a redução desses poderes.

Os partidários de uma diminuição de poderes do PE encontravam-se maioritariamente na Dinamarca (73%), Reino Unido (58%), Irlanda (44%) e Alemanha (41%).

Já os adeptos do aumento dos poderes do PE se encontravam maioritariamente na Itália (72%), Grécia (57%) e França (53%).

Entre os cidadãos que se aprestavam para exercer o seu direito de voto nas europeias, 55% afirmaram que as questões dos seus países interviriam de maneira determinante no sentido do voto. Realce para os gregos, com 85% de respostas nesse sentido, e para os irlandeses, com 77%. (Diário de Notícias, 8 de Junho de 1994)

…EURODEPUTADOS COM MENOS BENESSES

Dois dias antes, o mesmo diário já dava conta das constantes reticências dinamarquesas à União Europeia, considerando mesmo que "os dinamarqueses não acreditam e têm pouco respeito pelo Parlamento Europeu".

"Talvez por isso mesmo, os movimentos anti-Europa deverão obter cerca de 20% dos votos nas eleições de quinta-feira" — vaticinava o jornal, socorrendo-se de uma sondagem publicada no dia anterior pelo jornal conservador dinamarquês "Jyllands-Posten".

Uma outra sondagem, publicada pelo conservador "Berlingske Tidende", referia que a maioria dos dinamarqueses nutria pouco respeito pelos trabalhos e papel do PE.

"Com efeito, 76% dos inquiridos consideram que os deputados europeus são muito bem pagos e até têm regalias superiores às dos nacionais".

Só 16% dos inquiridos acreditavam que os eurodeputados "trabalham arduamente".

Apesar das críticas, 67% dos interrogados afirmavam-se cientes da necessidade de existir um Parlamento Europeu, isto contra 21% que consideraram aquela instituição como supérflua e 12% que não souberam responder à questão. (Diário de Notícias, 6 de Junho de 1994)

DESEMPREGO, O MAIOR PROBLEMA

Outra sondagem, esta dada à estampa no jornal "The European". Ali se dava conta das principais preocupações dos cidadãos dos 12 países membros da comunidade, quanto ao futuro. E a ansiedade maior toda virada para o desemprego:

"O desemprego será o maior problema da União Europeia nos tempos mais próximos. Os sete mil e trezentos eleitores dos doze Estados-membros entrevistados no fim de Abril […] põem a recessão em segundo lugar na lista das suas preocupações (14 por cento, depois dos 30 atribuídos ao desemprego) e relegam as questões político-institucionais para a terceira posição (11%), à frente da guerra na ex-Jugoslávia (9%)".

A mesma sondagem mostrava que o clube dos eleitores mais eurocépticos, até à data dominado por britânicos e dinamarqueses, "poderá receber um novo sócio de peso: 50% dos alemães opõem-se à moeda única, contra 45% que lhe são favoráveis".

E que diziam os portugueses de tudo isto?

"Em relação à moeda única, os portugueses repartem-se entre 37% de aprovações e 31% de reprovações".

Situação interna sempre na mira dos inquiridores:

"À pergunta sobre a insatisfação comparada quanto à gestão do Governo nacional e das instituições comunitárias, S. Bento perde claramente para Bruxelas: 50% torcem o nariz ao Executivo de Cavaco Silva, 34% dizem que não gostam do comportamento dos eurocratas".

O jornal "Público" revelava um dado importante, e que nos fará reflectir sobre uma das problemáticas mais candentes das eleições europeias: a de saber se os eleitores de cada país votam "pela Europa", "pensando na Europa", ou se os votos das europeias se desvirtuam significativamente quando os eleitores não conseguem desligar da situação interna nos seus países, quando utilizam o voto como arma contra os políticos que ao tempo governam o seu país. Segundo o jornal "Público", e "por maior que seja o grau de descontentamento e desconfiança em relação a Bruxelas, particularmente elevado na Dinamarca, no Reino Unido e na Alemanha, só entre os eleitorados grego e luxemburguês é que o cartão vermelho mostrado às instituições da União suplanta a reprovação dos respectivos executivos nacionais".

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