Sala de Prensa


19
Mayo 2000
Año III, Vol. 2

WEB PARA PROFESIONALES DE LA COMUNICACION IBEROAMERICANOS

A R T I C U L O S

   
   

com
Christian Caujolle

Antônio Ribeiro e Flávio Rodrigues *

Photosynthesis - Há muita gente em nossa área que o apelidou Senhor Fotografia, acha que o nome lhe faz justiça?

Tomada do Forte de Copacabana,
no início do golpe de 1964
foto: Evandro Teixeira

CAUJOLLE - Antes de mais nada, acho que estou particularmente mal colocado para concordar, e além disso, felizmente esse jamais foi meu objetivo ou ambição. A fotografia não é o meu único centro de interesse. É, obviamente minha atividade profissional principal. Interesso-me por tudo o que diz respeito à literatura, cinema, pintura, enfim, a arte em geral, mas é também verdadeiro que intervenho essencialmente na fotografia e na prática fotográfica.

Photosynthesis - Como se explica que um antigo aluno de Roland Barthes e Michel Foucault tenha se tornado o editor de fotografia do Libération?

CAUJOLLE - Por pura casualidade, e há acasos e decisões, isto é, quando era estudante fui ligado à extrema esquerda maoista na França e participei da criação do Libération. Em 1973 estava em Toulouse mas em seguida conclui estudos clássicos, estudos de literatura e um dia decidi que não tinha vontade de ensinar sob as condições que a universidade dispunha à época e foi exatamente nesse momento corri o risco de me tornar um jornalista independente; era uma época em que se podia trabalhar com o Libération de maneira extremamente suave e eu me interessava pessoalmente pela fotografia porque ela me parecia um dos campos da criatividade de maior importância, complexo na sua essência e que não dispunha de ninguém para escrever sobre ela.

Pensei então que poderia escrever sobra as exposições de fotografia e lançamentos de livros. Quando em 1981 se produziu a nova fórmula do jornal, e esse foi o projeto mais marcante na imprensa francesa, além de continuar escrevendo, aceitei a responsabilidade de uma política editorial ao nível da fotografia. É verdade que aconteceu ao mesmo tempo uma história pessoal que busca suas raízes na militância e os acasos absolutamente conjunturais, onde havia uma grande questão: como poderia a fotografia participar ou não da informação, e a dúvida veio num contexto muito particular porque a imprensa francesa é muito singular, nascida justamente após a liberação da França em 1945 e que não teve evolução até 1981. Era uma imprensa que havia envelhecido e não se adaptara aos tempos modernos. Tomando-se a fotografia como exemplo, a imprensa francesa diária não a utilizava como forma de ilustração. Ela não dispunha da menor autonomia no contexto em que se encontrava e tampouco tinha diversificação nas suas funções. E foi exatamente aí que tentei interceder, procurando dar à fotografia mais autonomia no seu discurso e favorecer a diversificação de sua utilização e funções.

Photosynthesis - Qual foi especificamente o projeto da fotografia nessa nova fórmula?

CAUJOLLE - Houve inicialmente barreiras, impecilhos a permitir a fotografia com um status próprio, que era o da ilustração ambicionada à época do Libération. A fotografia em 1981, como a dos dias de hoje era também uma foto amadorística, como essas feitas em maquinas automáticas que se encontram nos metrôs, que é feita por qualquer um para ser exposta num museu ou vendida a algum colecionador de arte contemporânea. Eu pretendia que o Libération, e creio ser essa a função de qualquer jornal, refletisse o momento e o contexto onde se encontrava; se percebe aí a proximidade da fotografia no jornal que não deve se limitar a fotografia tradicional, ainda que respeitável, pois ela impõe limites, e são os limites do que convencionamos chamar de fotografia para a imprensa, e que é o documento que o fotógrafo produziu em relação a um acontecimento e eu queria que se fosse mais longe, desejava que houvesse critérios de utilização que fossem muito diferentes.

A fotografia para um jornal diário propicia antes de mais nada, colocar rítmo na leitura, mas existe também a função informativa, há fotos com cinco linhas de legenda - era nesse caso que ela participava da informação - e há simplesmente fotos publicadas pelo prazer estético, pois há situações que não se pode representar em fotografias. Nesse momento tentamos fazer o leitor se interessar por qualquer imagem plasticamente interessante e que o fizesse prestar atenção. E foi a partir daí que eu decidi publicar no Libération não a chamada foto jornalística, de moda, etc. mas a foto autoral, e radicalizamos de certa forma. Nem sempre foi fácil em termos gerais, à exceção no Libération, porque houve confiança recíproca com a direção artística da redação e integração com o projeto gráfico do jornal.

Photosynthesis - O senhor disse que houve uma recusa, espécie de veto.

CAUJOLLE - Não foi exatamente veto; havia uma cultura reinante e a cultura na fotografia de imprensa veta numerosos caminhos da fotografia e foi contra isso que me bati; entretanto acabou sendo aceito pelo projeto gráfico, que se tornou rico e mais satisfatório. É necessário que se diga honestamente que, quando se produz um jornal diário, não se dá conta no dia-a-dia, da importância contida nessa ou naquela matéria vinte anos mais tarde; de mais a mais um jornal diário possui uma arquitetura apaixonante porque ele se extingue todos os dias, pode-se se enganar, pode-se se aprender muita coisa, nada é definitivo.

Photosynthesis - Qual é a relação de força entre a redação e a fotografia?

CAUJOLLE - Este é um problema de espaço, que está na origem da situação; aqueles que escrevem pensam sempre que os fotógrafos tomam seus lugares e vice-versa.


* Antônio Ribeiro y Flávio Rodrigues son periodistas brasileños de la revista Photosynthesis. Esta es su primera colaboración para Sala de Prensa.


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