| Uma foto vale mil palavras? por Antero Coelho |
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ALGUÉM já
disse que para explicar uma situação, não. Mas é inegável a sua tremenda
força em transmitir emoções. E para mim pessoalmente, a capacidade de
transmitir emoções é o caracteriza qualquer tipo de arte. Mas
devemos concordar que uma imagem em movimento permite uma serie de
recursos que facilitam essa capacidade de transmitir todas as emoções,
enquanto que uma fotografia tem que transmitir todas as emoções e
informações congeladas em um instante de tempo, uma fração finita do tempo
infinito do universo. Não é a toa que a televisão e o cinema quando querem
ressaltar um momento, paralisam na tela um determinado quadro de uma
seqüência em movimento. |
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No fotojornalismo há
centenas de exemplos -o que terá sentido o fotografo MALCOM BROWNE ao ver
o monge budista atear fogo as próprias vestes em uma rua de Saigon?
Ninguém pode saber! O certo é que teve algo que o fez transcender os
limites do homem e poder registrar o momento. Na época a foto gerou tanta
celeuma que a questão de publicá-la ou não foi levantada na SOCIEDADE
AMERICANA DE EDITORES DE JORNAIS e segundo o editor do jornal de
Syracusa um editor que não usasse aquela imagem não teria publicado uma
fotografia de Jesus crucificado. Essa capacidade de gerar emoções
contrarias é que me fascina na fotografia. Poucas artes conseguem o mesmo
efeito. É muito difícil ficar indiferente a uma imagem fotografada. O ser
humano tem mania de acreditar no que vê, e somente aquilo que acreditamos
pode vir a se tornar tema de discussão publica. Temos também uma carga
emocional tremenda por trás da câmara ou do pincel, como o caso de VAN
GOGH que cortou a orelha que não conseguia retratar com perfeição. No caso
do fotojornalismo as vezes a imparcialidade profissional é uma carga que
pode vergar os ombros. Quando cinco jornalistas foram metralhados pelos
Vietcongues em Maio de 1968, CHARLES EGGLESTON, o fotografo da UPI, não
pode suportar mais. Saiu um dia com uma arma na mão e nunca mais voltou.
Por tudo isso sempre achei que uma obra de arte não precisa ser explicada
nem questionada, ela se explica sozinha. E qualquer questão que ela possa
levantar vai ter um cunho pessoal e por isso não vai necessariamente
representar a opinião da maioria. E no caso da FOTOGRAFIA, ELA VALE MIL
PALAVRAS. |
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