Discurso Directo

 

Zorilla Barroso
Sem títulos as páginas de um jornal seriam um conjunto caótico de textos. Através do tamanho das suas letras e do espaço que ocupam, indicam a relevância informativa dos textos jornalísticos que encabeçam.

 

Lorenzo Gomis

A graça do título está no facto das pessoas começarem a falar do facto antes de terem lido sequer a informação inteira que o conta. O título move, agita e acelera a actualidade. A função das notícias é modificar a consciência da realidade, e a dos títulos promover uma consciência comum.

 

Lorenzo Vilches
Uma página de jornal não se lê, em primeiro lugar, pelo seu conteúdo mas pela sua expressão. Para falarmos só da foto, diremos que a distribuição da foto na página é semelhante a um mapa das diferentes armadilhas que o leitor encontra no seu itinerário perceptivo (…) Antes do conteúdo está a forma em que este se apresenta, antes da foto está o lugar que ocupa; há liberdade para que o leitor faça o seu próprio itinerário, mas esse caminho está cheio de armadilhas previamente preparadas.

 

Renaudot
 A História é o relato das coisas acontecidas. A Gazette é apenas o boato que corre sobre elas. A primeira deverá dizer sempre a verdade. A segunda já faz bastante se impede de mentir.

 

José Jorge Letria; José Goulão
Um jornal não é um romance. Tem muitas histórias e não apenas uma. As notícias fazem uma espécie de corrida entre si para ver aquela que consegue atrair mais a atenção do leitor. Ganha a que tiver mais informação logo nas primeiras palavras ou nas primeiras linhas. Por isso é essencial que o mais importante venha logo no princípio: se não for assim, quem a lê desiste e passa logo a outra notícia. Eu sei que os meus leitores são um pouco preguiçosos e raramente me encaram como se fosse um livro, onde tudo é para ler. Os seus olhos saltitam de notícia em notícia e só acompanham uma até ao fim se a história for bem contada e prender a atenção.  

 

Eça de Queiroz a Oliveira Martins

Trata de fazer um bom jornal e lembra-te de que a sensualidade moderna, que é o fundo do gosto moderno, gosta sobretudo de qualidades de forma e de plástica. Não se vai ao restaurante onde se come melhor — mas àquele onde a mobília é mais vistosa. Procura por isso que o jornal, como papel, tipo, impressão, etc., seja um primor. Dá-lhe um feitio que não seja o do pesado e pançudo Comércio do Porto. Fá-lo ligeiro e vibrante. (…) Diz quando sai essa Província — e, repito, enverniza-lhe os tamancos.  [5.05.1885]